Você se sente sobrecarregado no trabalho? Veja 7 questões para considerar

O estilo de vida nas grandes cidades, as oscilações da economia e o avanço das tecnologias estenderam as jornadas de trabalho e a quantidade de coisas para se fazer ao mesmo tempo. Hoje, basta atender o celular para (re)começar o expediente, onde quer que se esteja.

O portal UOL ouviu especialistas em estresse, carreira e administração do tempo, e levantou sete questões essenciais para quem precisa repensar sua relação com o trabalho.

Foram ouvidos a especialista em recursos humanos Eline Kullock, presidente do Grupo Foco; a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente no Brasil da Isma (Internacional Stress Menagement Association), organização internacional que se dedica à pesquisa e ao tratamento do estresse; e o coach Sergio Guimarães, idealizador da Academia do Tempo, escola especializada em administração do tempo e gerenciamento do estresse.

1 - É como uma epidemia:
A sobrecarga no trabalho é um fenômeno contemporâneo de largo alcance. Para se manter no mercado, lucrar e crescer, as empresas buscam produzir mais com menos recursos. "Hoje, velocidade conta muito", diz Kullock. É preciso lembrar, porém, que a dedicação excessiva ao trabalho afeta as demais áreas da vida, como os relacionamentos e a educação dos filhos.

2 - O medo favorece a sobrecarga:
Em contextos de crise econômica, quando há maior risco de demissão por descumprir metas ou para cortes de custo, os funcionários se sentem pressionados a trabalhar mais e a assumir novas responsabilidades. Mesmo porque funcionários desligados pela empresa ou por iniciativa própria podem não ser substituídos, tendo suas atribuições compartilhadas pelos que ficam. Mesmo quem não deve teme.

3 - Em cidades grandes, a situação piora:
O trânsito nas grandes cidades afeta diretamente o trabalho. Afinal, as pessoas acordam mais cedo para ir ao escritório e tendem a dar uma 'enrolada' em suas mesas após o expediente para evitar o trânsito no horário do rush, mesmo quando não se sentem pressionadas a ficar pelo volume de trabalho, pelo chefe ou pelos colegas. Esse tempo perdido agrava o desgaste diário, físico e mental.

4 - É possível adoecer pela sobrecarga:
O estresse altera diversos processos no funcionamento do corpo, como liberação de hormônios, batimentos cardíacos, processos digestivos e respiração, entre outros. Se ocorre de forma intensa e/ou prolongada, a sobrecarga no trabalho pode favorecer processos depressivos, doenças do coração, gastrite, distúrbios sexuais, alterações no sono, além de lesões por esforço repetitivo.

5 - Você sofre menos quando escolhe:
A sobrecarga pode ser uma opção em fases da carreira, para o desenvolvimento profissional (trabalhar e estudar junto), conquistar uma promoção, ou atingir uma meta. Por um período determinado, é mais fácil equilibrar com o resto da vida. Quem vive isso por anos deve se perguntar se o trabalho excessivo é uma escolha, um vício ou um pretexto para fugir de problemas.

6 - Organização pode ajudar:
Muita gente se sente sobrecarregada por falta de uma boa metodologia de trabalho ou usa o excesso de tarefas para se sentir imprescindível. Um processo de trabalho organizado requer que se estabeleça objetivos antes de definir prioridades. Quando tudo é considerado urgente, não se prioriza. Muitas vezes, priorizar não significa fazer antes, mas fazer com certeza

7 - É possível negociar para trabalhar menos:
Embora isso ainda seja um tabu, conversar com o chefe sobre o excesso de responsabilidades é uma medida viável e recomendável, pois cabe a ele gerenciar o estresse de seus funcionáriose perceber as necessidades da sua equipe. Se seu chefe for pouco acessível --porque ele está sob grande pressão ou é viciado em trabalho--, melhor atualizar o currículo e ficar de olho no mercado.

Pesquisa: 69% relatam desconforto relacionado ao emprego:
Uma pesquisa realizada em 2013 apontou que 88% dos entrevistados se declararam ansiosos, 83% angustiados e 74% preocupados no momento da entrevista. Para 69%, esse desconforto estava relacionado ao trabalho. As outras esferas da vida (pessoal, social, financeira etc.) assombravam juntas os demais 31%.

O estudo foi feito pelo braço brasileiro da Isma (Internacional Stress Menagement Association), organização internacional que se dedica à pesquisa e ao tratamento do estresse, e ouviu 1.000 profissionais de diferentes níveis na carreira em São Paulo e Curitiba.

53% recorrem ao álcool para se desligar do trabalho:
A pesquisa da Isma revelou, ainda, que 85% dos profissionais declararam sofrer de algum tipo de dor (muscular, de cabeça etc.); 70% afirmaram se sentir cansados, com mais horas de trabalho e com menos tempo para repor suas energias; e 35% disseram sofrer de algum tipo de distúrbio do sono, como a insônia.

O estudo mostrou também que a reação ao estresse pode favorecer problemas de saúde: 56% afirmam usar medicamentos, muitas vezes por conta própria; 53% admitiram recorrer ao álcool como forma de se desligar do trabalho e 35% declararam que passaram a comer mais.

"Estudos mostram que o estresse altera o paladar --ao mesmo tempo, a comida se torna um recurso de gratificação para quem se sente tão cansado", acrescenta Rossi.

Fonte: Uol Economia


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